O que é Osteoporose e Por que é Tão Comum em Idosos
A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada pela redução da densidade e da qualidade óssea, resultando em fragilidade dos ossos e maior susceptibilidade a fraturas. Os ossos osteoporóticos são porosos, menos resistentes e se quebram com traumas que não causariam fraturas em ossos saudáveis — ou até mesmo de forma espontânea.
O processo de perda óssea começa antes dos 50 anos, mas se acelera significativamente em mulheres após a menopausa — quando a queda dos estrogênios remove um importante protetor da massa óssea. Nos homens, a perda é mais gradual e geralmente ocorre mais tarde. Estima-se que a osteoporose afete uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos no mundo.
Além do envelhecimento e da menopausa, outros fatores de risco incluem histórico familiar de osteoporose, baixo peso corporal, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, deficiência de cálcio e vitamina D, e uso prolongado de corticoides. Algumas doenças — como artrite reumatoide, doença celíaca e hiperparatireoidismo — também aumentam o risco.
A Relação Direta entre Osteoporose e Quedas
Osteoporose e quedas são dois fatores que se somam para criar um dos maiores riscos da geriatria: a fratura por fragilidade. Sozinha, a osteoporose não causa sintomas — é uma doença silenciosa até que a fratura aconteça. Sozinha, uma queda em um osso saudável raramente causa fratura grave. Mas quando um idoso com osteoporose cai, as consequências podem ser devastadoras.
A fratura de quadril é a mais temida: está associada a mortalidade de 15% a 30% no primeiro ano após o evento, e a maioria dos pacientes que sobrevivem perde algum grau de independência funcional. As fraturas vertebrais causam dor crônica, perda de altura, cifose progressiva ("corcunda") e podem ser completamente assintomáticas, descobertas apenas por exame de imagem. As fraturas de punho são frequentes em quedas em que a pessoa tenta se amparar com as mãos.
Por isso, a prevenção de quedas e o tratamento da osteoporose caminham juntos na geriatria — não faz sentido tratar um sem abordar o outro.
Cálcio, Vitamina D e o Papel da Suplementação
Cálcio e vitamina D são os dois nutrientes mais importantes para a saúde óssea. O cálcio é o principal componente estrutural dos ossos; a vitamina D é essencial para sua absorção intestinal e para a mineralização óssea. Sem vitamina D suficiente, o organismo não consegue aproveitar adequadamente o cálcio ingerido.
A deficiência de vitamina D é extraordinariamente comum em idosos — mesmo em países tropicais como o Brasil. Isso ocorre porque idosos passam menos tempo ao sol, têm pele menos eficiente na síntese de vitamina D e frequentemente apresentam dietas pobres nesse nutriente. A suplementação de vitamina D é indicada para a maioria dos idosos, com doses que devem ser individualizadas conforme os níveis séricos.
Em relação ao cálcio, a preferência é sempre pela dieta: laticínios, vegetais verde-escuros, sardinha com espinha. A suplementação medicamentosa deve ser indicada apenas quando a ingestão alimentar é insuficiente, e a dose deve ser cuidadosamente calculada para evitar excesso — que pode aumentar o risco de cálculos renais e, segundo algumas evidências, de eventos cardiovasculares.
Densitometria Óssea: Quem Deve Fazer
A densitometria óssea (DXA) é o exame padrão para o diagnóstico da osteoporose. Mede a densidade mineral óssea, geralmente na coluna lombar e no colo do fêmur, e classifica o resultado em normal, osteopenia (perda óssea moderada) ou osteoporose (perda óssea grave). É um exame simples, rápido, sem dor e com exposição mínima à radiação.
Recomenda-se a realização de densitometria para todas as mulheres a partir dos 65 anos e para mulheres mais jovens com fatores de risco. Em homens, a indicação é para aqueles acima de 70 anos ou com fatores de risco específicos. Após um primeiro exame, a repetição depende do resultado e do tratamento em curso, geralmente a cada dois anos. A médica com Especialização em Geriatria avalia individualmente quando e com que frequência o exame deve ser realizado.
Tratamentos Disponíveis
Além da suplementação de cálcio e vitamina D, existem diversas classes de medicamentos para o tratamento da osteoporose estabelecida ou de alto risco de fratura. Os bisfosfonatos (alendronato, zoledronato, risedronato) são a primeira linha de tratamento na maioria dos casos: inibem a reabsorção óssea e reduzem o risco de fraturas em até 50%. O denosumabe é uma injeção semestral que também inibe a reabsorção óssea, com boa eficácia e tolerabilidade. Para casos mais graves, agentes anabólicos como o teriparatide estimulam a formação de novo osso.
A escolha do tratamento depende do perfil de risco do paciente, das comorbidades (função renal, por exemplo, influencia a escolha do bisfosfonato), das preferências e da adesão esperada. Em idosos com múltiplas condições, a médica com Especialização em Geriatria avalia o melhor tratamento considerando o conjunto da saúde do paciente, não apenas o osso isolado.
Prevenção de Fraturas no Ambiente Doméstico
Modificar o ambiente doméstico para reduzir o risco de quedas é uma das intervenções mais custo-efetivas na prevenção de fraturas. Tapetes soltos, superfícies escorregadias, iluminação insuficiente, móveis instáveis e banheiros sem barras de apoio são riscos presentes na maioria dos lares brasileiros e que podem ser corrigidos com investimento relativamente baixo.
As principais adaptações recomendadas incluem: instalar barras de apoio no banheiro (próximas ao vaso e ao box), usar tapetes antiderrapantes ou removê-los, garantir iluminação adequada em corredores e banheiros (especialmente à noite), verificar que o idoso usa calçados fechados e com sola antiderrapante dentro de casa, e revisar as alturas de cadeiras e camas para facilitar o levante. A avaliação domiciliar por um profissional de saúde (terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta) pode identificar riscos que passam despercebidos.