O barulho no banheiro, o grito, o telefone tocando: "a mãe caiu". Poucas coisas assustam tanto uma família — e com razão. A queda é um dos eventos que mais mudam a vida do idoso: além da fratura, ela traz o medo de cair de novo, que leva a andar menos, perder força e cair mais. Neste guia, explico o que fazer no momento da queda, quando ir ao hospital e — o ponto que quase ninguém faz — como investigar a causa para que não aconteça de novo.
No momento da queda: passo a passo
- Não levante o idoso às pressas. Primeiro, converse: ele está consciente? Sente dor forte em algum lugar? Consegue mexer pernas e braços?
- Ligue 192 (SAMU) se houver: perda de consciência (mesmo breve), pancada na cabeça — principalmente se usa anticoagulante (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS em dose alta), dor intensa no quadril, na virilha ou nas costas, perna encurtada ou virada para fora, deformidade ou incapacidade de se mexer, sangramento que não para, confusão ou vômito após a queda.
- Se não houver nada disso e ele se sente capaz, ajude a levantar devagar: virar de lado, ficar de quatro, apoiar em uma cadeira firme, sentar primeiro e só depois ficar de pé. Sem puxar pelos braços.
- Depois de levantar: observe por 24 a 48 horas. Dor que piora, dificuldade nova para andar, sonolência, dor de cabeça forte, confusão ou vômito são motivo para ir ao pronto-socorro mesmo que a queda tenha parecido "boba". Fraturas de quadril e sangramentos na cabeça podem se manifestar horas depois.
- Se ele não consegue levantar, não force: mantenha-o aquecido, confortável, e chame ajuda.
Importante: a consulta online é para avaliação e orientação — não substitui atendimento de emergência. Se o idoso tiver falta de ar intensa, dor no peito, fraqueza súbita em um lado do corpo, fala enrolada, confusão que surgiu de repente, queda com pancada na cabeça ou sangramento, ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo.
Depois do susto: a pergunta que muda tudo é "por que ele caiu?"
A maioria das famílias trata a queda como azar — "tropeçou no tapete". Mas na geriatria a queda é um sintoma. Quase sempre há uma combinação de causas por trás, e cada uma delas pode ser corrigida:
- Medicamentos que causam tontura, sonolência ou queda de pressão ao levantar: calmantes, remédios para dormir, alguns antidepressivos, remédios para pressão em excesso, diuréticos, remédios para próstata.
- Pressão que cai ao ficar de pé (hipotensão postural) — muito comum e pouco diagnosticada.
- Fraqueza muscular e perda de equilíbrio (sarcopenia), que torna qualquer tropeço uma queda.
- Visão e audição ruins ou óculos desatualizados.
- Problemas nos pés, calçados inadequados, chinelos soltos.
- Doenças: Parkinson, neuropatia do diabetes, arritmias, anemia, infecção (a queda pode ser o primeiro sinal de infecção urinária ou pneumonia no idoso).
- Início de declínio cognitivo, que altera a atenção e o julgamento de risco.
- Ambiente: tapetes, fios, pouca luz, banheiro sem barras, cama alta demais — importante, mas raramente é a causa única.
Seu familiar caiu e a família quer entender o porquê?
Depois do atendimento de urgência, o próximo passo é a avaliação da causa. Me chame no WhatsApp: faço a avaliação de risco de quedas por videochamada ou presencial em Rio Preto, reviso os medicamentos e monto um plano para evitar a próxima.
Falar no WhatsApp →O que a avaliação geriátrica faz depois de uma queda
Investigo cada um dos fatores acima: meço a pressão deitado e em pé, avalio marcha e equilíbrio com testes simples, reviso todos os medicamentos, verifico visão, pés, cognição e as doenças de base, e peço exames quando necessário. A partir disso, montamos um plano: ajuste de remédios, fortalecimento e fisioterapia, adaptação da casa e, quando indicado, avaliação da osteoporose para proteger os ossos. A queda que já aconteceu não se desfaz — mas a próxima, muitas vezes, se evita. Veja também quedas em idosos: causas e prevenção e osteoporose.
Adaptações imediatas na casa
- Retirar tapetes soltos e fios do caminho; luz de vigília no corredor e no banheiro
- Barras de apoio no box e ao lado do vaso; tapete antiderrapante no box; cadeira de banho se houver insegurança
- Calçado fechado com sola antiderrapante — nada de chinelo solto
- Objetos de uso diário ao alcance, sem precisar de escada ou banquinho
- Levantar da cama em três tempos: sentar, esperar, ficar de pé