Quedas são a principal causa de morte acidental em idosos no Brasil e no mundo. Uma em cada três pessoas acima de 65 anos cai ao menos uma vez por ano. Acima dos 80, essa proporção sobe para uma em cada duas. Mas o que mais preocupa não é a frequência — é o impacto.
Uma queda em um idoso pode significar fratura de quadril, internação prolongada, perda definitiva de independência e, em muitos casos, declínio acelerado que leva ao óbito nos meses seguintes. Mesmo quando não há lesão física grave, o medo de cair novamente pode levar ao isolamento e à inatividade — que por sua vez aumentam ainda mais o risco de novas quedas.
Por que idosos caem mais
Com o envelhecimento, vários sistemas que mantêm o equilíbrio se deterioram ao mesmo tempo: a visão piora, a audição diminui (afetando o sentido de posição), os músculos enfraquecem, os reflexos ficam mais lentos e a sensibilidade nos pés reduz. Isso não é destino — é um processo que pode ser avaliado e tratado.
Além das mudanças físicas, há fatores externos que contribuem enormemente: o ambiente doméstico cheio de riscos, o uso de calçados inadequados e, especialmente, os medicamentos.
O papel dos medicamentos nas quedas
Este ponto merece destaque especial: os medicamentos são um dos principais fatores de risco modificáveis para quedas em idosos. Alguns grupos farmacológicos aumentam significativamente o risco:
- Benzodiazepínicos e hipnóticos (remédios para dormir e ansiedade)
- Anti-hipertensivos, especialmente quando em dose excessiva
- Antidepressivos, particularmente os tricíclicos
- Antipsicóticos
- Diuréticos (podem causar hipotensão postural)
- Combinações de medicamentos que interagem entre si
Revisar esses medicamentos com um médico especializado pode reduzir o risco de queda de forma significativa — sem necessariamente abrir mão do tratamento das doenças de base.
Como é feita a avaliação do risco de queda
Na consulta geriátrica, o risco de queda é avaliado de forma sistemática. Isso inclui testes padronizados de equilíbrio e marcha (como o Timed Up and Go), avaliação da força muscular, revisão dos medicamentos, exame da visão e audição, e inspeção do ambiente domiciliar quando possível.
"Toda queda tem uma causa — e a maioria tem mais de uma. Encontrar e tratar essas causas é o trabalho da geriatria."
Intervenções que realmente funcionam
Adaptações no ambiente
Remover tapetes soltos, instalar barras de apoio no banheiro, melhorar a iluminação (especialmente no caminho até o banheiro à noite), usar calçados fechados com sola antiderrapante e manter o caminho livre de objetos. Medidas simples, mas com impacto documentado.
Exercício físico
Programas de exercício com foco em equilíbrio e força muscular são a intervenção com maior evidência científica na prevenção de quedas. Tai chi, fisioterapia e treino de resistência demonstraram reduzir quedas em até 40% em alguns estudos.
Revisão de medicamentos
Como descrito acima: identificar e reduzir o número de medicamentos que aumentam o risco de queda é uma das intervenções mais eficazes disponíveis.
Seu familiar já caiu ou tem medo de cair?
A Dra. Mariana Marcato realiza avaliação completa do risco de queda em São José do Rio Preto. Atende com HB Saúde, particular e domiciliar.
Agendar pelo WhatsApp →Quando buscar avaliação médica urgente
Qualquer queda em idoso que resulte em dor intensa, incapacidade de se levantar ou mover um membro, confusão mental, ou perda de consciência — mesmo que breve — deve ser avaliada com urgência. Fraturas de quadril, por exemplo, podem não causar dor intensa imediatamente, mas exigem tratamento rápido para evitar complicações.
Mesmo quedas sem lesão aparente merecem avaliação médica se o idoso cai com frequência — é sinal de que há algo a ser investigado e corrigido.